A importância das instituições no crescimento de longo prazo

Introdução:

Até o momento foi colocada a premissa de que as taxas de investimento e o tempo que as pessoas destinam a se qualificar são fornecidos exogenamente.

A partir deste resumo tentara se explicar por que alguns países investem mais que outros e destinam mais tempo ao aprendizado de novas tecnologias.

 

Desenvolvimento:

Uma maneira de avaliar a decisão de investimento é a chamada analise de custo-benefício. Uma vez implantado o negócio imagine que ele gera lucro durante toda sua existência. Isto pode ser avaliado por meio do valor presente descontado dos lucros esperados futuros; que chamaremos de Π, e será a variável que fornecera a pauta para a decisão de uma empresa:    Π ≥ F àInveste          Π < F à Não investe

A extensão para a transferência de tecnologia é inerente ao exemplo empresarial. Parte substancial da transferência de tecnologia deve ocorrer exatamente desse modo -quando a multinacional decide instalar um novo tipo de negócio num pais estrangeiro. Com relação à aquisição de qualificações, uma história semelhante se aplica. As pessoas devem decidir quanto tempo destinar à aquisição de qualificações especificas. Por exemplo, na decisão de dedicar um ano amais de estudo F é o custo da instrução e o custo de oportunidade. O benefício Π reflete o valor presente do acréscimo no salário, resultante da aquisição adicional de qualificação.

Um bom governo oferece as instituições e a infraestrutura que minimizam F e maximizam Π, incentivando assim o investimento.

Os determinantes de F são influenciados na instalação de uma subsidiaria por motivos pelos quais alguns países desmotivam o investimento estrangeiro, seja pela alta burocracia, seja pela existência de governos fracos e corruptos.

No referente aos determinantes de Π iremos determinar a lucratividade do investimento avaliando: (1) tamanho de mercado; (2) extensão em que a economia favorece a produção em vez do desvio e (3) a estabilidade do ambiente econômico.

Além do “efeito escala” favorável das grandes economias, também existem oportunidades para as empresas que estão localizadas estrategicamente em pequenos países abertos ao comercio e em rotas internacionais. Outro determinante no lucro auferido são as regras e instituições de uma economia que favorecem a produção (infraestrutura) ou o desvio (técnicas imorais e usualmente ilegais praticadas entre agentes privados e públicos).

Finalmente, a estabilidade do sistema econômico pode ser um determinante muito importante dos retornos ao investimento. Uma economia em que as regras e as instituições mudam continuamente pode ser um lugar arriscado para investir. Guerras e revoluções são um exemplo extremo de instabilidade numa economia.

Economias nas quais a infraestrutura propicia o desvio em vez da produção terão em geral menos investimento em capital, menos investimento externo que poderia transferir tecnologia, menos investimentos nas pessoas que poderiam acumular qualificações e menos investimento de empreendedores que poderiam desenvolver novas ideias que melhorassem as possibilidades produtivas da economia.

Além disso, a infraestrutura de uma economia pode influir no tipo de investimento a serem realizados. Por exemplo, numa economia com grande desigualdade e problemas sociais que propicia o roubo, os gerentes investirão capital em grades e sistemas de segurança em vez de investir em máquinas e fábricas. Ou, em uma economia na qual os empregos públicos possibilitam o ganho de renda mediante arrecadação de taxas ou propinas, as pessoas podem investir em habilidades que lhes permitam obter emprego público em vez de se qualificarem para empregos produtivos.

Empiricamente é possível observar que economias com políticas antidesvio e abertura ao comercio internacional tem apresentado melhores índices de investimento que as que não aplicaram as mesmas. Também se observa que as pessoas destinam mais tempo a acumular qualificações em países abertos ao comercio e que favorecem a produção sobre o desvio.

Se o trabalho é um fator escasso nas economias em desenvolvimento, o retorno à qualificação nessas economias deveria de ser elevado, e isso deveria de incentivar a migração de mão de obra qualificada dos países ricos para os países pobres. Contudo, na prática ocorre o inverso.

No referente à Produtividade Total dos Fatores (PTF), também existe uma correlação positiva com as políticas antidesvio e a abertura.

A função de produção agregada das economias é a seguinte: Y=IKα(hL)1-α, onde I representa a influência da infraestrutura da economia sobre a produtividade de seus insumos. As economias crescem ao longo do tempo porque novos bens de capital são inventados e os agentes econômicos aprendem a usar os novos tipos de capital (o que é captado por h). Contudo, duas economias com os mesmos K, h e L podem ainda gerar montantes de produto diferentes porque os ambientes econômicos em que esses insumos são empregados diferem.

As políticas governamentais e as instituições que constituem a infraestrutura de uma economia determinam o investimento e a produtividade e, por tanto, determinam também a riqueza das nações. Alterações fundamentais na infraestrutura, (como os incentivos à inovação) podem gerar milagres de crescimento.

Conclusão:

Conseguimos ver que a infraestrutura é um determinante do investimento que gera o crescimento futuro de longo prazo, e a importância dos governos na escolha das políticas que são definidas.

No referente à crítica direta de Jones ao “desastre Argentino”, supostamente causado por Juan Perón, ele primeiro deveria de estudar a história Argentina, ler sobre o Segundo Plan Quinquenal (onde Argentina teve seu auge industrial e o nascimento de direitos sociais), e depois falar. Os piores anos de Argentina foram durante o período militar, e logo nos anos do neoliberalismo nos anos 90. Tanto a carnificina da ditadura e sua economia primaria como o desastre econômico do governo Menem e Consenso de Washington foram apoiados pelo pais de origem do autor.

Na atualidade, vale a pena destacar o papel heroico que ele dá aos EUA como modelo a seguir e o esquecimento dos países nórdicos e China, únicos que conseguiram escapar do controle do mainstream antissocialista. Com China com um PIB per capita cada vez maior, e pronta a assumir a liderança econômica mundial; a população Russa se replantando ter saído da URSS; os países nórdicos socialdemocratas com seus altos índices de bem-estar; e os EUA liderando o fascismo internacional, perdendo sua posição de hegemonia neoimperialista, com cada vez mais descontento e desigualdade na população, acho que Jones deveria de repensar suas ideias.

A teoria que Jones propõe sobre a renda dos países se equilibrar, é algumas vezes possível sim; mas com o fluxo internacional de capitais e com o capital financeiro beneficiando os que já possuem mais renda (sendo o capital inicial um multiplicador), e este mesmo mercado financeiro beneficiando países como Coreia do Sul e Japão (países citados como exemplo de crescimento) é difícil que países isolados consigam competir nesse jogo de cartas marcadas.

@edwalves Financial adviser, entrepreneur, economist. #economics #BRICS #technology #nature #development #value #investing

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