Estudo de como o processo de inovação leva ao crescimento

Introdução:

O objetivo sobre o analise das trajetórias de inovação procura explicar, desde uma perspectiva histórica, como o avance tecnológico levou à inovação e o crescimento dos países desenvolvidos, principalmente os Estados Unidos. Durante o transcurso se apreciará que foi um caminho incremental de políticas governamentais que contaram também com a participação do capital privado apoiando o Estado para o crescimento das economias.

Desenvolvimento:

Um dos principais acontecimentos do século XX foi a interconexão entre o mundo dos conhecimentos científicos e o de os artefatos.

A invenção de artefatos como o avião ou o computador demandaram décadas até eles se tornar um produto eficiente e sustentável, isto foi possível através de pequenas melhoras quase imperceptíveis que o fizeram evoluir ao longo do tempo. È assim que entra o questionável papel dos direitos de propriedade intelectual para recompensar os riscos de inversão em investigação e desarrolho. Incluso é a população quem suportam o custo desse investimento. Sendo que os ingressos de muitas empresas derivam da investigação financiada publicamente, em instituições ou universidades públicas, ou a través de subsídios e isenções tributarias. Muitas destas ideias que forneceram grandes resultados nos ingressos de rentas às empresas ou indivíduos são o resultado de uma série de ideias e experimentos atribuíveis a muitos indivíduos que não foram recompensados. Muitas dessas ideias se presentam para bloquear a competência e evitar demandas, e não estão pensadas para ser exploradas e para a produção.

Estudos realizados por Abramovitz (1956) e Solow (1957) chegaram na conclusão de que não mais do que 15% do crescimento medido no produto dos EUA ao final do século XIX e na primeira metade do século XX podiam ser atribuídos ao crescimento dos insumos medidos de capital e trabalho. O “resíduo” de 85%, notavelmente elevado, sugeriu que o crescimento da economia resultou predominantemente da extração de mais produto de cada unidade de insumo na atividade económica, ao invés do mero uso de mais insumos. Isto, foi principalmente causado pela inovação tecnológica.

Durante o inicio do século XX os EUA estiveram mais abertos a influencias internacionais do que em qualquer outro momento. Por volta de 1900, companhias multinacionais sediadas nos Estados Unidos, já estavam desempenhando um papel significativo na transferência internacional de novas tecnologias. As grandes melhorias nas áreas de transportes e comunicações foram, certamente, os principais facilitadores tecnológicos para o crescente fluxo de conhecimentos tecnológicos, assim como de bens e de capital a través das fronteiras políticas. Duas guerras mundiais, amais severa depressão na história e as políticas protecionistas conseguiram interromper a tendência em direção à globalização por várias décadas.

Joint ventures internacionais e alianças estratégicas de todo tipo tem contribuído para tornar mais rápidos os fluxos internacionais de tecnologia.

Outra característica peculiar da história da inovação na economia norte-americana do século XX foi a institucionalização do processo de inovação que ocorreu durante esse período. Ao final do século XIX, várias empresas industriais começaram a organizar sistemáticos programas internos de P&D. O aparecimento de esses laboratórios de pesquisas industriais na economia dos EUA ocorreu paralelamente ao crescimento de novas disciplinas de engenharia e de ciências aplicadas nas universidades. Na verdade, todos esses três conjuntos tecnológicos têm sido caracterizados por uma “divisão de trabalho” mutável entre as empresas privadas, as universidades e o governo no que se refere ao financiamento e à realização da P&D.

Parece quase óbvio, pelo menos para este autor, que o automóvel chegou quando chegou mais por causa de mudanças económicas e sociais do que devido à mudança tecnológica como tal. Em primeiro lugar, no automóvel, o prestígio, a flexibilidade, a privacidade, a recreação e a utilidade estão combinados de um modo que somente uma sociedade individualista com alta renda per capita poderia permitir-se possuir ou desenvolver. Essa é uma boa justificativa para a alegação de que, entre as condições indispensáveis para o início da era do automóvel figuravam os níveis relativamente altos de renda, pelo menos da classe média, e a existência de uma sociedade individualista.

As profundas mudanças que aconteceram no sistema de P&D dos EUA durante o século XX foram influenciadas pela “invenção da arte de inventar”, antes iniciada na Alemanha. E pela evolução do sistema de P&D e seu constante deslocamento nos papeis da indústria, governo e universidades como financiadores.

Tanto na Alemanha como nos EUA o crescimento do P&D foi influenciado por avanços na física e na química durante o último terço do século XIX. Os laboratórios de P&D empresarial trouxeram grande parte do processo de desenvolver e melhorar a tecnologia industrial para o interior das empresas industriais dos EUA, reduzindo a importância dos inventores independentes na geração de patentes (Schmookler, 1957). Em indústrias como as do aço e do processamento de carnes, os setores de inspeção e teste de materiais, muitos dos quais haviam sido criados à medida que foi crescendo a escala de produção no final do século XIX, gradativamente expandiram suas atividades para as áreas da inovação de processos e de produtos.

Elas também passaram a monitorar desenvolvimentos tecnológicos fora da firma e a aconselhar seus administradores na aquisição de tecnologias desenvolvidas externamente.

As ameaças de uma ação antitruste resultantes da dominância das corporações de um único setor levaram-nas a diversificar suas atividades para outras áreas. A P&D interna contribuiu para essa diversificação, dando suporte à comercialização de novas tecnologias que foram desenvolvidas internamente ou compradas de fontes externas. Como Schumpeter argumentou em seu livro “Capitalismo, socialismo e democracia” que a pesquisa industrial interna às empresas havia substituído o inventor-empresário reforçando a posição das empresas dominantes. Dessa forma empresas como GE e Du Pont conseguiram criar carteis internacionais.

A dependência de muitas universidades dos EUA em relação aos financiamentos do Estado, a modesta dimensão desse financiamento e a rápida expansão de suas atividades de treinamento contribuíram para o crescimento dos vínculos formais e informais entre a pesquisa industrial e a universitária.

As universidades tornaram-se um ponto focal para o monitoramento das atividades de tecnologia externa de muitos laboratórios industriais de pesquisa dos EUA antes de 1940, e pelo menos algumas de essas conexões entre as universidades e as empresas envolveram o desenvolvimento e comercialização de novas tecnologias e produtos. Esses vínculos entre a pesquisa acadêmica e a industrial foram poderosamente influenciados pela estrutura e financiamento descentralizados do ensino superior nos EUA, especialmente das instituições públicas dentro do sistema. O financiamento público criou um sistema de ensino superior substancialmente maior do que o da maioria das nações europeias. A fonte desse financiamento público foi, entretanto, igualmente importante. O proeminente papel dos governos estaduais no financiamento do sistema de ensino superior dos EUA no pré-guerra levou as universidades públicas a procurar oferecer benefícios económicos às suas regiões a través de vínculos formais e informais com o setor industrial (Rosenberg & Nelson, 1994). Tanto o currículo como a pesquisa do ensino superior dos EUA tornaram-se mais voltados para as oportunidades comerciais do que na maioria dos sistemas europeus de ensino superior. Swann (1988) descreveu as amplas conexões entre pesquisadores acadêmicos, de instituições educacionais com empresas. O tamanho desse acervo de mão-de-obra treinado foi tão importante quanto a sua qualidade.

No início da Segunda Guerra começou um processo de estruturação onde o percentual maior de P&D, antes em mãos da agricultura, foi orientado para a defesa; a qual teve um espetacular incremento de 1331%.

Ironicamente, o êxito do Projeto Manhattann na criação de armas com poder destrutivo sem precedentes contribuiu para favorecer pálidas percepções no pós-guerra sobre as possibilidades construtivas da ciência em grande escala para o avanço do bem-estar da sociedade; por exemplo, penicilina, radar, etc.

O maior beneficiário das bolsas e contratos por médio do overhead, (ou taxa institucional) foi o MIT, com 75 contratos com um valor total de mais de US$116 milhões. E o êxito desses arranjos contratuais com o setor privado durante a Guerra contribuiu, no pós-guerra, para o crescimento de um sistema de P&D que dependia fortemente do financiamento federal para pesquisa e desenvolvimento extramuros.

Os serviços militares têm dominado o orçamento federal de P&D desde a década de 1970, apenas ficando abaixo dos 50% dos recursos comprometidos para esse fim em três anos.
Assim, tal como em outros segmentos da pesquisa acadêmica nos EUA, os incríveis avanços nas tecnologias biomédicas durante o período do pós-guerra e os grandes e multifuncionais centros médicos universitários foram beneficiados por substanciais influxos de financiamentos federais.

Os grandes estabelecimentos de pesquisa existentes em universidades, no governo e em diversas empresas privadas serviram de “incubadoras” para o desenvolvimento de inovações que “saíram pela porta” com os indivíduos que criaram suas firmas para comercializá-las. Esse padrão foi particularmente significativo nas indústrias de biotecnologia, de microeletrônica e de computadores. De fato, os altos índices de mobilidade funcional dentro das aglomerações regionais de empresas de alta tecnologia serviram tanto como um importante canal de difusão da tecnologia quanto como um imã para outras empresas com tecnologias afins. A fundação e a sobrevivência de novas e vigorosas empresas também dependeram de um sofisticado sistema financeiro privado que apoiou as novas empresas durante a sua infância. O mercado de capitais de risco desempenhou um papel especialmente importante na implantação de muitas empresas de microeletrônica durante as décadas de 1950 e 1960, e contribuiu para o crescimento das indústrias de biotecnologia e de computadores. Logo, os fundos de investimento de capitais de risco foram sendo gradualmente suplementados por ofertas públicas de participação.

Conclusão:

O aparecimento de grandes empresas corporativas no início do século XX e as mudanças provocadas nesse sistema pela Segunda Guerra e suas sequelas provocaram grandes mudanças estruturais.

A P&D e as compras governamentais relacionadas à defesa foram indispensáveis para o crescimento de empresas iniciantes nas indústrias de semicondutores e computadores. As políticas antitruste contribuíram para a rápida difusão da propriedade intelectual através das indústrias nascentes de semicondutores e de computação. Além disso, é claro, o apoio das agências federais de financiamento às empresas e universidades contribuiu para aumentar a oferta de novos desenvolvimentos com potencial comercial.

A política antitruste também tem sofrido mudanças consideráveis desde os anos 1980. A administração Reagan deslocou substancialmente sua filosofia de aplicação para longe da rígida postura adotada por praticamente todas as administrações anteriores. Isto levou a um crescimento do liberalismo de direita ao qual agradecemos pela crise econômica de 2008. Desde a qual a administração Obama recuperou o pais com políticas keynesiana. E no qual a atual administração Trump está por fazer explodir num futuro próximo; talvez só em termos econômicos com a atual desregulamentação e políticas favoráveis ao aumento do índice de Gini e descontento social, talvez literalmente pela má gestão geopolítica.

Muitos dos laboratórios pioneiros no desenvolvimento de pesquisa própria estão agora comprometidos em relacionamentos colaborativos, nacionais e internacionais, com outras empresas, grupos de firmas, laboratórios governamentais e universidades.

@edwalves Financial adviser, entrepreneur, economist. #economics #BRICS #technology #nature #development #value #investing

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